A ABECAT – Associação Beneficente e Esportiva Catalana e Ouvidorense, prepara uma mudança profunda para 2027. A equipe da cidade de Ouvidor, Sul de Goiás, dará lugar ao Agro Esporte Clube, projeto que pretende aproximar o futebol profissional da força econômica e cultural do agronegócio. A nova marca manterá a estrutura esportiva construída pela ABECAT e disputará a Série D do Campeonato Brasileiro em 2027.
Além disso, o projeto prevê investimento estimado em R$ 11 milhões na temporada de 2027, aproximadamente cinco vezes o orçamento informado para 2026. Segundo as informações divulgadas pela imprensa goiana, esse valor colocaria o Agro entre os maiores orçamentos do futebol profissional de Goiás, atrás apenas de Goiás, Vila Nova e Atlético-GO. A estimativa também aponta para uma folha próxima de R$ 1 milhão por mês.
A transformação não ficará apenas no nome. O clube pretende adotar novo escudo, novas cores e novos uniformes, além de reformular a estrutura de treinamento e o Estádio Luiz Benedito, em Ouvidor. Portanto, a proposta é criar uma identidade própria, associada diretamente ao agronegócio e capaz de alcançar torcedores e parceiros também fora de Goiás.
No campo esportivo, a meta inicial é bastante agressiva. O Agro EC pretende disputar a Série D de 2027 já pensando no acesso à Série C. Depois, o planejamento estabelece como objetivo chegar à Série B em um período estimado de três a cinco anos. Em longo prazo, o projeto também fala em alcançar a Série A.
A gestão do projeto está ligada a Danilo Cândido Pereira, que aparece como diretor da ABECAT Ouvidorense SAF nos registros empresariais disponíveis. Assim, a nova operação parte de uma estrutura que já possui participação no futebol profissional e vínculo com a Federação Goiana de Futebol.
A ABECAT, por sua vez, disputou a elite do Campeonato Goiano em 2026 e também a Série D do Brasileirão. A Federação Goiana de Futebol confirma a presença do clube na primeira divisão estadual daquele ano, enquanto as informações sobre o novo projeto indicam que a vaga nacional de 2027 será aproveitada pelo Agro.
Antes de avançar com o projeto em Goiás, investidores teriam avaliado a possibilidade de investir na Ponte Preta, de Campinas. Entretanto, segundo o relato divulgado sobre a negociação, o volume de dívidas e compromissos financeiros do clube paulista dificultou o acordo. O grupo, então, voltou suas atenções para uma operação considerada mais viável em Goiás.
Apesar de o projeto ser apresentado como um dos primeiros grandes movimentos brasileiros de futebol diretamente associado ao agronegócio, a afirmação de que será “o primeiro clube do agronegócio do Brasil” deve ser tratada como posicionamento de marketing, e não como um fato histórico comprovado. Existem outros clubes brasileiros que utilizam referências ao setor rural ou agrícola em suas denominações e identidades.
O desafio, agora, será transformar o investimento anunciado em desempenho esportivo. Afinal, dinheiro aumenta a capacidade de contratação e estruturação, mas não garante acesso. Para chegar à Série C em 2027 e, posteriormente, à Série B, o Agro precisará montar um elenco competitivo, organizar a gestão e utilizar de forma eficiente o orçamento previsto.





