Base da Ponte Preta entra em campo na tarde deste domingo em partida contra o América/MG – Foto: Arthur Henrique/Ponte Preta/Jogada10
A Ponte Preta enfrenta neste domingo, dia 30 de agostomm um dos momentos mais delicados de sua história recente. Em meio à greve do elenco profissional por causa dos salários atrasados, a Macaca viajou para Belo Horizonte com 17 jogadores formados nas categorias de base para enfrentar o América-MG, às 16h, no Independência, pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. A medida evita que o clube deixe de disputar a partida por W.O.
A paralisação dos profissionais começou na quarta-feira, 26 de agosto. Os jogadores afirmam que existem casos de até seis meses de salários e direitos de imagem em atraso. Além disso, o grupo criticou a falta de respostas da diretoria e decidiu interromper as atividades até que a situação seja regularizada.
Antes disso, os atletas já haviam divulgado um posicionamento público cobrando soluções para a crise. Na manifestação, o elenco também defendeu a possibilidade de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol, enquanto o clube enfrentava dificuldades para manter sua estrutura esportiva.
Diante desse cenário, o técnico Gilson Kleina terá uma missão incomum justamente em seu retorno ao comando da Ponte Preta. Esta será a sexta passagem do treinador pelo clube e, portanto, a estreia acontece sob enorme pressão, com um grupo formado exclusivamente por jovens entre 17 e 23 anos.
Embora sejam jovens, alguns jogadores já acumulam experiência no time principal. Entre eles estão os goleiros Guilherme e Vinícius Ferrari, o lateral Júlio, os zagueiros Diego Leão e Gustavo Almeida, os volantes Gustavo Telles e Juan e o meia Miguel. Assim, Kleina terá seis alternativas no banco de reservas.
No campeonato, a situação da Ponte também é extremamente complicada. A equipe ocupa a última colocação, com apenas 10 pontos em 24 partidas, além de acumular 18 derrotas e um longo jejum sem vitórias. Caso não vença o América-MG, a Macaca chegará a 19 jogos consecutivos sem ganhar, igualando o pior jejum da história da Série B, registrado pelo ABC em 2015.
O confronto, por outro lado, coloca frente a frente os dois últimos colocados da competição. O América-MG tem apenas um ponto a mais que a Ponte e também luta contra o rebaixamento. Portanto, além da crise extracampo, o duelo representa uma disputa direta na parte inferior da tabela.
A crise da Ponte Preta, entretanto, não começou agora. O clube foi rebaixado no Campeonato Paulista nesta temporada e também convive com dificuldades financeiras que provocaram a saída de jogadores importantes. Paralelamente, a equipe aparece com dois transfer bans no sistema da Fifa, impedindo novos registros enquanto as pendências não forem solucionadas.
O momento é ainda mais preocupante porque a Ponte Preta havia conquistado a Série C em 2025, diante do Londrina, e retornado à Série B. Agora, menos de um ano depois, o clube enfrenta novamente o risco de queda, desta vez em uma temporada marcada por problemas administrativos, financeiros e esportivos.
Dessa forma, o duelo contra o América-MG ganhou um significado que vai muito além dos três pontos. Para a Ponte Preta, entrar em campo com os garotos representa, neste momento, a tentativa de manter a equipe viva na competição enquanto o clube busca uma solução para uma crise que ameaça diretamente seu futuro esportivo.






