A decisão de colocar o time titular do Flamengo em campo contra o Vasco partiu diretamente do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e, além disso, causou incômodo interno no departamento de futebol. O tema ganhou força após reunião realizada na terça-feira dia 20 de janeiro, no Ninho do Urubu, com as presenças de Bap, do diretor José Boto e do técnico Filipe Luís, em um encontro que redefiniu totalmente o planejamento rubro-negro para o Campeonato Carioca.
Inicialmente, Filipe Luís havia adotado um discurso claro e alinhado com a comissão técnica. No domingo, portanto, o treinador reuniu o elenco e afirmou que os titulares não atuariam, mesmo diante do início irregular no Estadual. Já na segunda-feira, contudo, o grupo recebeu a informação de que todos viajariam para o clássico, embora ainda sem definição sobre quem jogaria. Pouco depois, surgiu o aviso da reunião decisiva, deixando claro que a palavra final viria da presidência.
A mudança de rota aconteceu, sobretudo, por causa da pressão interna liderada por Bap e por seus aliados políticos. O principal argumento envolveu a tabela do Carioca e o risco real de o Flamengo acabar no quadrangular contra o rebaixamento. Nesse cenário, o clube teria que disputar seis jogos extras, e não apenas quatro, o que, consequentemente, agravaria ainda mais um calendário já considerado apertado.
Com isso, a estratégia passou a ser objetiva e imediata. A diretoria decidiu escalar os profissionais contra o Vasco e, em seguida, reavaliar o uso do elenco principal no duelo com o Fluminense. A avaliação interna considera que uma vitória no clássico já deixaria a situação mais confortável, reduzindo riscos esportivos e também institucionais neste início de temporada.
Antes da intervenção presidencial, Filipe Luís havia garantido que o planejamento seria mantido até o fim da pré-temporada. No entanto, tudo mudou após a derrota para o Volta Redonda, resultado que acendeu o sinal de alerta nos bastidores. A partir desse tropeço, a avaliação política ganhou peso e falou mais alto do que o plano técnico originalmente traçado.
Internamente, a decisão não agradou ao departamento de futebol. A área defendia a manutenção da pré-temporada, com foco total no Brasileirão e na Supercopa do Brasil, consideradas prioridades esportivas e financeiras do clube. Além disso, a comissão técnica entende que o elenco principal teve poucos treinos e ainda não atingiu o nível físico ideal para competir sem riscos de desgaste ou lesões.
Mesmo assim, o Flamengo colocará sua equipe principal em campo apenas nove dias após o início da pré-temporada. O movimento expõe um choque claro entre gestão política e planejamento esportivo, algo que pode ter reflexos ao longo da temporada. Agora, o clássico contra o Vasco passa a carregar não só o peso histórico, mas também a responsabilidade de justificar uma decisão tomada fora das quatro linhas.






