Em uma manobra que escancara os desafios do modelo de gestão de clubes-empresa, o Botafogo viu suas finanças estremecerem ao destinar, até junho deste ano, R$ 523 milhões ao Lyon, tradicional clube francês que integra o portfólio da Eagle Football, grupo liderado por John Textor. O objetivo por trás desse socorro financeiro foi claro: evitar o rebaixamento do time europeu após alerta do órgão regulador da liga local. No entanto, o custo desse movimento começa a se mostrar alto demais para o Glorioso.
Embora parte do montante emprestado tenha vindo das receitas com planos de sócio-torcedor, patrocínios e premiações esportivas, a SAF revelou que também foi forçada a vender jogadores em condições comerciais pouco favoráveis.
Essas negociações, segundo a administração alvinegra, aconteceram única e exclusivamente para gerar caixa destinado aos franceses. O cenário, cada vez mais crítico, já acende um sinal de alerta nos bastidores de General Severiano, sobretudo porque, com o caixa atual, o clube teria fôlego financeiro para apenas três meses, a não ser que antecipe receitas previstas somente para 2026.
Como consequência direta dessa situação, John Textor acabou afastado do controle operacional da Eagle Football, após pressão interna e de investidores preocupados com a instabilidade criada. O caso reacende o debate sobre os riscos do modelo multi-clubes e levanta dúvidas sobre até que ponto uma SAF nacional deve comprometer seu futuro para sustentar parceiros internacionais.